Parece que o resultado das pesquisas começou a mexer com os nervos de alguns setores da política brasileira — e o reflexo dessa disputa já pode ser percebido até nos grupos de WhatsApp de Macaíba.
Nos últimos dias, novos levantamentos colocaram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em alguns cenários, embora as pesquisas apresentem resultados diferentes e, em vários casos, dentro da margem de erro. Na pesquisa Palver divulgada nesta quinta-feira (24), por exemplo, Flávio aparece com 48% contra 45% de Lula no segundo turno.
E aí começa a parte curiosa.
Segundo relatos de participantes de grupos políticos da cidade, quando determinadas manifestações consideradas “exageradas” aparecem no WhatsApp, surgem logo as ameaças de expulsão. É quase como se alguns administradores tivessem descoberto uma nova ferramenta de debate político: não conseguiu convencer? Aperta o botão “remover participante”!
É claro que todo grupo tem regras e seus administradores têm o direito de estabelecer limites para ofensas, ataques pessoais e desinformação. Isso é perfeitamente compreensível.
O problema começa quando qualquer opinião contrária passa a ser tratada como fake news simplesmente porque incomoda.
Se alguém critica a esquerda ou Lula é fake news.
Se alguém manifesta apoio a Bolsonaro, é extremista.
Se alguém apresenta um número diferente daquele que determinado grupo gostaria de ver, lá vem a ameaça: “vou tirar você do grupo”.
Ora, minha gente… que democracia de porcelana é essa?
Democracia não funciona como grupo de família em que só pode falar quem concorda com o administrador.
E talvez seja justamente isso que esteja tornando o ambiente político tão interessante neste momento: o contraditório apareceu, cresceu e resolveu falar.
As pesquisas mais recentes mostram uma disputa apertada, com oscilações importantes entre institutos. A Palver, por exemplo, registrou Flávio numericamente à frente em determinado cenário, enquanto Datafolha e outros levantamentos apresentam números diferentes.
Ou seja: não existe espaço para ninguém cantar vitória antecipadamente.
Mas também não existe motivo para tentar esconder o debate.
Quem acredita firmemente nas próprias ideias deveria ter tranquilidade para ouvir quem pensa diferente. Afinal, se uma opinião é realmente fraca, basta apresentar argumentos melhores.
Não precisa expulsar ninguém.
No WhatsApp, o administrador pode até controlar quem permanece no grupo. Mas existe um detalhe que nenhum administrador consegue controlar: a opinião das pessoas fora dele.
E essa talvez seja a grande ironia da história.
Pode até existir o botão “remover participante”.
Só não inventaram ainda o botão “remover o contraditório”.
E pelo jeito, nesta eleição, esse botão vai fazer muita falta.



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