A cada quatro anos, a Copa do Mundo transforma o Brasil em muito mais do que um país apaixonado por futebol. O evento altera hábitos de consumo, influencia decisões financeiras e impacta diretamente o mercado de crédito.
Segundo estudo da Neogrid, em parceria com o Opinion Box, 67% dos brasileiros acreditam que terão novos gastos durante a Copa, principalmente com alimentação, bebidas, roupas e eventos sociais. Trata-se de um consumo movido pela emoção, pelo senso de pertencimento e pela celebração, e não necessariamente por necessidade.
Esse comportamento tem reflexos importantes no crédito. Historicamente, grandes eventos esportivos impulsionam as compras. Pesquisas do SPC Brasil e da CNDL mostram que a Copa já movimentou mais de R$ 20 bilhões, levando cerca de 60 milhões de consumidores às compras. Entre os destaques estão os eletrônicos, especialmente televisores, transformando o período em uma espécie de “Black Friday emocional” para o varejo.
O problema é que a renda não acompanha esse aumento de consumo. Dados do Serasa indicam que 80% dos brasileiros já têm a renda comprometida. Assim, muitos gastos são financiados por meio da antecipação da renda futura, elevando o risco de endividamento.
Para aproveitar a demanda, o varejo costuma ampliar parcelamentos e facilitar condições de pagamento. Ao mesmo tempo, bancos e financeiras enfrentam um cenário desafiador: cresce a procura por crédito, mas também o risco de inadimplência. E esse risco é real. O Brasil já convive com elevados índices de inadimplência, o que leva instituições financeiras a rever estratégias justamente em períodos de maior consumo.
Embora a Copa movimente setores como turismo, mídia, tecnologia e serviços, seus efeitos econômicos são temporários. O consumo se concentra durante o evento, enquanto as dívidas podem permanecer por meses ou anos.
No fim, a Copa revela que o crédito é também uma questão comportamental. Para o mercado financeiro, representa oportunidade e risco. Para o consumidor, o desafio é evitar que a empolgação do momento se transforme em um problema financeiro duradouro.
Fonte: Gustavo Caciatori, COO e Especialista em Empréstimo com Garantia de Imóvel do Bari thaiza.ribeiro@vcrp.com.br

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