Quando o Barão de Itararé cunhou a máxima “Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados”, talvez ele não imaginasse que seu aforismo ganharia tamanha atualidade. No teatro da política nacional, a arte de escolher mal os governantes parece um esporte coletivo. Afinal, como não rir (ou chorar) ao constatar que a urna, essa máquina mágica, transforma votos de cidadãos bem-intencionados em mandatos desastrosos?
O espetáculo começa na campanha eleitoral. O candidato, munido de clichês, promessas impossíveis e jingles grudentos, conquista corações e mentes. Sua principal proposta? Fazer o “melhor churrasco” com dinheiro público. Sua experiência? “Já fez muita coisa, só não sabe explicar o quê“. Seus eleitores? Um mix entre desavisados, ingênuos e os que votam porque “pelo menos ele é engraçado“.
Quando eleito, o espetáculo continua. Lá está ele, nosso governante-meme, fazendo discursos que poderiam ser monólogos de comédia stand-up e tomando decisões que deixam até o Barão de Itararé revirando-se no túmulo. Ao lado dele, claro, estão os eleitores que o defendem com fervor, orgulhosos de sua “representação“. Para eles, qualquer crítica é conspiração da mídia ou inveja da oposição. Reclamam, mas quando é um opositor, vão logo dizer que reclamam por inveja, porque não ganharam uma boquinha.
E enquanto o país tropeça entre gafes e escândalos, o eleitor médio segue sua rotina, reclamando do preço do pão e das filas no hospital, mas sem jamais ligar esses problemas à escolha que fez meses antes. “Ah, mas todos são iguais“, “este rouba, mas faz” justifica. Ou ainda: “Eu votei nele porque ele não era igual aos outros“.
Afinal, como dizia o Barão, somos representados. Às vezes bem demais. E, em um país onde o palhaço é sempre o mais sério da sala, resta a pergunta: quem é o verdadeiro idiota da história?



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