Dizem por aí que a vida é matar um leão por dia. Bonito, né? Heroico até. Mas quem inventou essa frase certamente nunca precisou atravessar a selva do cotidiano brasileiro. Se fosse só o leão, tava fácil: é encarar a fera, fazer pose de valente e pronto, um dia vencido.
O problema é que, além do leão, a gente tem que ignorar as antas. E olha que elas aparecem em todo canto: no trânsito, na fila do banco, na reunião que poderia ser um e-mail… Sempre fazendo questão de mostrar que a burrice tem mais persistência que a própria gravidade.
Enquanto isso, a gente tenta esquecer os jumentos — aqueles que acham que são gênios da raça, mas que, no fundo, não aprenderam nem a amarrar o próprio ego. E como se não bastasse, ainda sobra a missão de dar capim aos burros, porque sim, eles estão por toda parte pedindo atenção, explicação, ajuda… e, no fim, continuam mastigando a ignorância com a mesma tranquilidade de uma vaca no pasto.
E não acabou: tem as cobras, sempre à espreita, prontas para dar o bote. Algumas até sorriem antes de morder, o que é pior, porque o veneno vem acompanhado de falsidade. Depois, chega a hora de engolir sapos — grandes, médios e pequenos. Alguns ainda coaxam na garganta antes de descer, só para lembrar que a gente não tem escolha.
E, como se tudo isso não bastasse, ainda aparece o bêbado da vez. Não necessariamente aquele da cachaça, mas aquele que fala sem filtro, sem lógica e sem fim. O tipo de sujeito que transforma qualquer conversa numa ressaca mental.
No fim das contas, a vida não é só matar um leão por dia: é administrar um zoológico inteiro sem salário, sem férias e ainda sorrindo para a foto.

Leave a Reply