O salário mínimo foi criado para garantir ao trabalhador condições básicas de sobrevivência. Mas a realidade de quem depende exclusivamente do piso nacional mostra que existe uma distância enorme entre o salário recebido e o custo de uma vida minimamente digna.
Em junho de 2026, o trabalhador potiguar que recebia o piso nacional comprometia cerca de 45,76% do salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência, apenas para garantir a alimentação básica individual. Quase metade da renda desaparecia antes mesmo de pagar aluguel, água, energia, transporte, medicamentos, higiene e outras despesas.
A situação fica ainda mais evidente quando se observa o cálculo do DIEESE — Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, entidade de caráter intersindical historicamente ligada e mantida pelo movimento sindical brasileiro. Segundo o órgão, considerando as despesas básicas de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter chegado a R$ 7.687,01 em julho de 2026. Em agosto, a estimativa foi de R$ 7.565,86, enquanto o salário mínimo oficial permanecia em apenas R$ 1.621,00.
Ou seja, o valor calculado pelo DIEESE para julho era mais de quatro vezes o salário mínimo oficial. O cálculo considera alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência.
É aqui que surge a grande contradição: o trabalhador pode estar empregado, cumprir sua jornada e receber rigorosamente o piso nacional, mas ainda assim terminar o mês fazendo contas para decidir qual necessidade será sacrificada.
O problema não está apenas no número impresso no contracheque. Está no poder de compra desse dinheiro.
Se quase metade do salário líquido de um trabalhador potiguar pode ser consumida somente pela alimentação individual, fica a pergunta: quanto realmente sobra para viver?
No papel, existe um salário mínimo. Na prática, para milhões de brasileiros, o que existe é um salário que mal consegue garantir o mínimo.
Fonte: Dieese

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