Quando o calendário eleitoral começa a piscar, ele aparece. Não é milagre, é Loki. O “Rei das Mentiras” surge com a mesma ladainha de sempre, a mesma pose de salvador e o mesmo roteiro que já vimos tantas temporadas atrás. Um personagem tão previsível que chega a ser cômico — se não fosse trágico.
Depois da eleição, Loki sobe no palanque mundial e proclama aos quatro ventos: “acabei com a fome e reduzi a extrema pobreza!” Palmas, fogos, discursos inflados e estatísticas mágicas. Mas basta o próximo pleito se aproximar para o encanto quebrar. O mesmo Loki reaparece com cara compungida, mangas arregaçadas e o velho pedido: “Preciso de mais quatro anos para tirar o povo da miséria.”
Ora, decide-te, ó Rei! Ou tirou, ou não tirou. Porque essa miséria aí parece mais resistente do que promessa de campanha.
É uma miséria elástica, convenhamos. Estica antes da eleição, encolhe depois. Some nos discursos oficiais, reaparece nos comerciais eleitorais. Um verdadeiro truque de ilusionismo político. Loki não governa, ele encena. Não administra, improvisa. Não resolve, recicla promessas como quem recicla slogan antigo com adesivo novo.
O povo? Esse vira figurante no espetáculo. A miséria é usada como cenário, como argumento emocional, como combustível para mais votos. E enquanto milhões seguem esperando a tal libertação prometida, Loki coleciona mandatos, narrativas e versões alternativas da realidade.
O mais curioso é que o roteiro nunca muda. Mudam os culpados, mudam os inimigos imaginários, mudam os discursos inflamados. Mas a miséria… ah, essa sempre fica. Porque, se um dia ela acabasse de verdade, Loki perderia sua principal desculpa para pedir “só mais um mandato”.
No fim das contas, o problema não é Loki mentir — afinal, ele é o Rei das Mentiras. O problema é ainda ter plateia que acredita que, desta vez, o truque vai ser diferente.
Este é apenas mais um conto na atualidade de Asgard, um mundo lendário e imaginário da mitologia nórdica.

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