Durante uma missa, uma reflexão do padre chamou a atenção de todos os fiéis presentes. Ele falou com firmeza, mas também com o carinho de quem zela por sua comunidade, sobre um comportamento que tem se tornado cada vez mais evidente — e preocupante: o daqueles que se dizem cristãos, participam ativamente das missas, comungam, envolvem-se nas atividades paroquiais, mas que, ao menor sinal de dificuldade, correm em busca de soluções em caminhos que nada têm a ver com os ensinamentos de Cristo.
É sobre essa fé frágil, moldada mais pela conveniência do que pela convicção, que o padre alertou. Quantos se apresentam como católicos apenas quando tudo vai bem? Quantos, diante dos problemas, abandonam o altar para buscar auxílio em terreiros, despachos ou outras práticas que negam a fé que dizem professar?
O recado foi claro: “A quem pensam que enganam? Talvez a alguns que não os conheçam de perto. Mas a Deus, ninguém engana.” A crítica colocamos especialmente voltada a figuras públicas, como alguns vereadores da cidade, que tentam se manter de pé em dois altares ao mesmo tempo — algo impossível para quem realmente quer seguir o caminho de Cristo.
O problema não está em reconhecer a própria fragilidade — todos somos pecadores, todos erramos. Mas a questão é a falta de compromisso com a fé, o uso da religião como aparência, uma capa social que serve para conquistar votos, prestígio ou simpatia, mas que cai por terra quando as ações mostram o contrário daquilo que se prega.
A vida cristã não é feita só de flores. Ser cristão de verdade é permanecer fiel mesmo quando tudo parece desmoronar. É confiar em Deus, mesmo na dor. É dobrar os joelhos diante do altar e não procurar atalhos que prometem soluções rápidas, mas afastam a alma da verdadeira salvação.
Aos que vivem essa duplicidade, a pergunta do padre ecoa como um chamado à consciência: será que conseguem enganar a si próprios? O risco maior não é o que pensam os outros, mas o que se perde interiormente quando se troca a cruz pela ilusão.
Cristo nos chama à verdade. A Igreja nos acolhe com misericórdia, mas também nos exorta à coerência. Que a fé que professamos seja a fé que vivemos — não apenas diante dos olhos do povo, mas sobretudo diante dos olhos de Deus, que tudo vê, tudo sabe e tudo conhece.



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