Uma das maiores crises da política moderna não está apenas na corrupção ou na má gestão dos recursos públicos. Ela também se manifesta na falta de coerência de muitos políticos que, conforme os ventos mudam, mudam junto seus discursos, suas bandeiras e até suas convicções.
Durante campanhas eleitorais, é comum vermos candidatos se apresentarem como oposição ferrenha ao sistema. Criticam governos, atacam adversários e prometem representar uma nova forma de fazer política. No entanto, após assumirem cargos ou perceberem que determinada posição já não rende votos, muitos passam a adotar exatamente as práticas e alianças que antes condenavam.
Quando questionados sobre essa mudança, surge um discurso cada vez mais frequente: “Não sou situação nem oposição, sou o povo”. A frase parece bonita, mas muitas vezes serve apenas para esconder uma postura oportunista. Afinal, ninguém representa o povo mudando de posição a cada conveniência. O povo espera honestidade, firmeza e clareza de princípios.
A política exige capacidade de diálogo e até revisões de posicionamento quando novos fatos surgem. Isso é natural e saudável. O problema começa quando a mudança não ocorre por evolução de pensamento, mas por cálculo eleitoral. Nesse caso, a convicção dá lugar à conveniência, e o compromisso com ideias é substituído pelo compromisso com a própria sobrevivência política.
O cidadão atento percebe quando alguém tenta reescrever a própria história. Na maioria das vezes, está apenas seguindo o caminho que considera mais vantajoso.
A democracia precisa de representantes que tenham coragem de sustentar suas posições, mesmo diante de críticas. Erros podem ser corrigidos, opiniões podem evoluir, mas a coerência continua sendo uma das qualidades mais importantes de um homem público. Sem ela, a política se transforma em um simples teatro, onde os personagens mudam de figurino conforme a plateia que desejam agradar.




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