Num pronunciamento marcado pelo desrespeito e pela falta de sensibilidade, o vereador Reginaldo tentou diminuir a vice-prefeita Raquel Barbosa com a frase: “Se não aguenta críticas, vá ser freira.” A tentativa de desmoralização revela mais sobre o autor da fala do que sobre quem ele quis atingir. Ao usar a figura da freira como metáfora de fragilidade ou fuga, o parlamentar não apenas demonstrou desconhecimento, como também desrespeito a uma das mais resilientes e comprometidas vocações humanas.
Ser freira não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. É um ato de coragem, disciplina, renúncia e serviço ao próximo. Freiras enfrentam diariamente críticas, julgamentos e invisibilizações sociais enquanto trabalham, em silêncio e dedicação, nas comunidades mais esquecidas do país, nas escolas, nos hospitais, nos abrigos, nas periferias, com os pobres e marginalizados, com amor e firmeza. Em um mundo que valoriza o ego e a autopromoção, elas seguem no anonimato, sustentando estruturas de compaixão e justiça social.
Ao mandar uma mulher “virar freira” como se isso fosse rebaixá-la, o vereador demonstra um machismo enraizado que associa a força feminina apenas à capacidade de suportar ataques públicos. A frase, impregnada de deboche, não atinge apenas a pessoa visada. Ela fere todas as mulheres que ousam ocupar espaços de poder e todas as religiosas que escolheram servir por fé e propósito. O tom de escárnio mostra como, muitas vezes, homens públicos recorrem ao ataque pessoal quando lhes faltam argumentos.
A mulher que foi alvo dessa tentativa de humilhação, por sua vez, se agiganta. Por enfrentar a política sem se curvar ao machismo velado (e explícito), por manter a postura em meio ao ataque e por ser, acima de tudo, exemplo de dignidade. Assim como as freiras injustamente citadas, ela também enfrenta críticas, resiste com firmeza e serve com propósito.
O vereador, ao tentar rebaixar, rebaixou-se. E a fala dele, em vez de diminuir, nos dá a oportunidade de reverenciar quem realmente merece ser exaltado: as mulheres que resistem — na política ou na fé — sem jamais perderem a força e a ternura.
Fecho editorial:
Num tempo onde o discurso público deveria construir pontes, ainda há quem tente usar palavras para ferir. Mas há pessoas — como as freiras e as mulheres que se erguem na política — que transformam cada ofensa em degrau de ascensão. E quem tenta apagá-las, acaba apenas expondo sua própria sombra.




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