“Olha a bola!” — alguém grita. Mas o quê? Que bola? Que tipo de bola? O que é bola para um secretário de esportes que não comparece sequer a uma reunião sobre o torneio de futebol? Quem bola os projetos? Por que a bola não rola para todos?
O secretário de esportes, figura central da promoção da saúde, da integração e da cidadania por meio do esporte, parece não entender muito além do gramado, aliás da quadra. Sim, ele vai aos jogos de futebol de salão. Mas será que acha que ser secretário de esportes é apenas isso? Entender de futebol? Será que conhece o basquete? O handebol? Já ouviu falar em tênis de mesa, ou será que pensa que isso é apenas coisa de escola?
Enquanto o futevôlei se espalha pelas areias e quadras da cidade, os praticantes de jiu-jitsu continuam no anonimato, sem incentivo, sem visibilidade. A capoeira, patrimônio cultural, luta para sobreviver entre as frestas de um orçamento que não chega. Judô? Damas? Dominó? Esporte também é mente, estratégia, respeito — será que o secretário sabe disso?
E se, por um instante, pensasse fora da caixa? Já imaginou um campeonato misto de queimada no meio da rua, envolvendo crianças, jovens, adultos, todos juntos, jogando, rindo, competindo com espírito de comunidade? Não só aquele passeio ciclístico uma vez por ano para tirar foto e fingir presença.
O esporte é plural, secretário. Não é só bola de futebol, é também a bola de basquete que quica na quadra, o saque do vôlei, a queda no tatame, o gingado da capoeira, o raciocínio rápido nas damas e no dominó. É suor, esforço, dedicação. Mas também é política pública, investimento, presença e escuta.
Incentive o esporte, secretário. Ou então diga com clareza: que bola, afinal, você está jogando? Sim, não esquecer do troféu quebrado!


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