Circula nas redes sociais um vídeo simples, mas profundamente provocador. Nele, o entrevistador lança a pergunta: quem é mais importante para o pobre: o governo ou o capitalismo? A resposta não vem em forma de slogan, mas da própria realidade vivida nas periferias, nas filas dos hospitais públicos, nas escolas sucateadas e nas ruas dominadas pela insegurança.
O pobre hoje pode não ter luxo, mas tem algo impensável décadas atrás: celular, computador, acesso à internet. Ferramentas que permitem trabalhar, estudar, empreender, vender, aprender e se comunicar com o mundo. Nada disso veio de políticas públicas eficientes ou de um Estado ágil. Vieram do capitalismo, da concorrência, da inovação, da queda de preços impulsionada pelo mercado e da busca constante das empresas por consumidores — inclusive os mais pobres.
Enquanto isso, o Estado, que tem como obrigação constitucional garantir saúde, educação e segurança, falha de forma sistemática. O pobre não tem hospital de qualidade, não tem atendimento digno, não tem escola eficiente que o prepare para competir no mercado e tampouco vive em segurança. Para acessar esses direitos básicos, enfrenta filas, burocracia, promessas vazias e uma máquina pública inchada, lenta e, muitas vezes, ineficiente.
O contraste é cruel: para comprar um celular, basta escolher, parcelar e levar. Para conseguir uma consulta médica especializada, são meses ou anos de espera. Para acessar educação de qualidade, muitos precisam pagar — porque a pública, em grande parte, não entrega o mínimo necessário. O capitalismo resolve rápido o que o Estado empurra com a barriga.
Isso não significa que o pobre não precise do Estado. Precisa — e muito. Mas precisa de um Estado que funcione, que cumpra seu papel básico, e não de um Estado paternalista, caro e ineficiente, que promete proteção e entrega dependência. O problema não é a ausência de governo, é a má qualidade dele.
O capitalismo, com todos os seus defeitos, oferece oportunidades, cria empregos, estimula o mérito e amplia o acesso a bens e serviços. Ele não pergunta em quem você votou, não exige favor político e não condiciona ajuda à submissão ideológica. Ele vende, troca, compete e inova. Já o Estado, quando mal gerido, transforma direitos em privilégios e serviços básicos em moeda política.
Para o pobre, o capitalismo tem sido o caminho para algum grau de autonomia. O Estado, do jeito que está, muitas vezes é apenas o símbolo da espera eterna. A reflexão que fica é dura, mas necessária: o pobre não quer esmola, quer oportunidade; não quer discurso, quer serviço; não quer promessa, quer resultado.
E enquanto o mercado entrega meios para viver, o Estado segue devendo o essencial para sobreviver com dignidade.



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