Em parte do discurso político brasileiro, o empresário frequentemente é retratado como o “explorador” da sociedade, enquanto o Estado aparece como o grande protetor dos trabalhadores. No entanto, essa narrativa enfrenta uma contradição que cada vez mais chama atenção de economistas, empreendedores e da própria população.
Afinal, é o empresário quem assume riscos, investe capital, gera empregos, paga salários, enfrenta a concorrência e lida com uma das maiores cargas tributárias do mundo. Sem empresas produzindo riqueza, não há empregos, arrecadação ou crescimento econômico.
Por outro lado, o trabalhador brasileiro vê uma parcela significativa de sua renda ser absorvida por impostos diretos e indiretos. Além do desconto na folha salarial, há tributos embutidos em praticamente tudo o que consome: alimentos, combustível, energia elétrica, medicamentos, vestuário e serviços. Em muitos casos, o cidadão trabalha meses do ano apenas para cumprir suas obrigações tributárias.
A crítica levantada por muitos setores é simples: por que aquele que gera empregos e movimenta a economia é frequentemente tratado como inimigo, enquanto o ente que arrecada compulsoriamente uma parte considerável da renda da população é apresentado como o grande benfeitor?
Isso não significa ignorar a importância do Estado na oferta de serviços públicos essenciais. O ponto central do debate é a eficiência na aplicação dos recursos arrecadados. Quando a população convive com problemas na saúde, educação, segurança e infraestrutura, cresce o questionamento sobre o destino de uma carga tributária tão elevada.
A verdadeira discussão não deveria ser sobre demonizar quem empreende ou idolatrar quem arrecada, mas sim sobre como criar um ambiente que valorize a geração de riqueza, preserve a liberdade econômica e garanta que os impostos pagos retornem efetivamente em benefícios para a sociedade.
No fim das contas, emprego não nasce de decretos, discursos ou promessas políticas. Emprego nasce de investimento, produção, confiança e empreendedorismo. E isso exige um debate mais honesto sobre quem produz riqueza e quem apenas administra os recursos retirados dela.




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