Nos últimos dias, um intenso debate tomou conta das redes sociais e grupos de WhatsApp: a atuação das forças policiais em diferentes estados do país. A polêmica, intensificada em locais como São Paulo — governado por um político de direita —, gerou uma enxurrada de críticas de setores da esquerda após casos de excessos cometidos por alguns policiais. Enquanto isso, outros episódios violentos envolvendo criminosos, como o baleamento de um adolescente de 12 anos em Mossoró (RN), receberam pouca ou nenhuma atenção do mesmo segmento.
A indignação seletiva provoca questionamentos. Por que as vozes que se levantam energicamente contra erros de polícia permanecem em silêncio diante da violência cometida por criminosos? Não se trata de minimizar os excessos policiais, que devem ser investigados e punidos rigorosamente, mas de refletir sobre a coerência no enfrentamento à violência como um todo.
No caso de Mossoró, um adolescente — inocente e indefeso — foi baleado durante uma tentativa de assalto. A história choca e indigna, mas não mobilizou protestos ou manifestações da mesma proporção que outros casos. Essa diferença de tratamento leva à percepção de que a pauta de alguns grupos é menos sobre a proteção da vida e mais sobre a disputa política.
Há quem acuse setores da esquerda de defender bandidos, mas o cenário é mais complexo. O silêncio não é necessariamente apoio aos criminosos, mas revela um foco em criticar o que é percebido como abuso institucional, especialmente quando partidos ou governantes de direita estão no poder. Essa postura, no entanto, pode minar a credibilidade de pautas relevantes ao dar a entender que há uma hierarquia de indignações.
O combate à violência, seja institucional ou criminosa, deveria transcender as rivalidades partidárias. A sociedade como um todo precisa ser coerente e intransigente contra qualquer ato que ameace vidas, independentemente de quem o cometa ou do contexto político. A empatia e o compromisso com a justiça não podem ser seletivos.




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