O carnaval chegou e com ele a promessa de folia, confete, serpentina e, claro, a Banda Grafith passando triunfante pelas ruas. Pelo menos era o que eu esperava. Mas meu carnaval foi escrito por outros ritmistas: um filho empolgado, uma esposa cúmplice, familiares animados e um mar disposto a ser piscina de alegria. Mas antes de falar da banda que não vi, preciso contar do carnaval que eu vivi.
Fomos à praia da Redinha
A folia começou de um jeito especial: praia. Porque se tem algo melhor do que carnaval na praia, eu desconheço (e se conhecer, finjo que não). Levei meu filho de sete anos para curtir o dia e, sem saber, ele transformaria aquele pedaço de areia em um grande espetáculo. A missão começou simples: cavar buracos. Nada de trio elétrico ou abadá, a alegria estava na expectativa de ver a água brotar do chão, como um milagre da natureza. A cada buraco escavado, a areia nos recompensava com um filete d’água, como se tivéssemos descoberto um tesouro submerso.
Mas isso era só o começo. Meu filho, inspirado pela grandiosidade do momento, decretou: “Vamos construir uma montanha!”. E assim nasceu o lendário Monte Everest da Praia. Uma obra-prima da engenharia infantil, imponente em sua modéstia, mas gigante na imaginação de quem o batisava. Olhei para aquela montanha de areia e pensei que, naquele momento, nada poderia superá-la.
Exceto, talvez, minha dança improvisada perto da minha esposa. O carnaval tem essas coisas: você se sente um mestre da coreografia, mesmo que ninguém confirme isso. Mas ali, entre risadas e passos desajeitados, eu sabia que estava fazendo o que importava.
A fome chegou, como sempre chega depois de um dia de sol e mar. Comi toda a bagana que aparecia na minha frente, sem frescura e sem critério, como um verdadeiro folião da gastronomia improvisada. Para beber? Um suco de manga. Porque nada representa melhor a essência tropical de um bom carnaval do que um gole desse ouro líquido.
Tudo isso foi incrível, o detalhe que faltou foi: a Banda Grafith que passei seis horas esperando. SEIS HORAS. Mas não era o dia. Nem o momento. Nem, aparentemente, o universo certo. A banda não passou. Nem sinal do primeiro acorde, do primeiro refrão, do primeiro grito de empolgação da multidão. Nada. Nem um eco distante.
E assim ficou a história do meu carnaval. Um dia perfeito, com buracos mágicos, montanhas de areia, dança questionável, comida oportuna e um suco de manga adequado. Só a Banda Grafith ficou de fora, mas tudo bem. Porque o que passou, passou. O que vale é que meu carnaval foi exatamente como deveria ser: único, divertido e com uma história para contar.