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10 junho 2026

Stablecoin não é o futuro: é o presente silencioso do sistema financeiro

Written by Dejackson Alvares de Farias
Negócios e Economia Chainalysis, Stablecoins, Tecnologia Emergente Leave a Comment
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As stablecoins deixaram de ser uma promessa das finanças digitais para se tornarem uma parte funcional e silenciosa do sistema financeiro global. Diferentemente das criptomoedas voláteis, como o Bitcoin, elas são atreladas a moedas fiduciárias, como o dólar e o real, oferecendo maior estabilidade e ampliando seu uso em pagamentos, liquidação financeira e transferências internacionais.

A dimensão desse avanço pode ser observada nos números. Segundo estudo da Chainalysis, o volume movimentado por stablecoins alcançou aproximadamente US$ 28 trilhões em 2025, patamar que, em determinados momentos, já rivaliza com grandes redes tradicionais de pagamento em liquidação bruta. As projeções indicam crescimento exponencial ao longo da próxima década.

A adoção ocorre de forma mais intensa em mercados emergentes, onde a busca por moedas fortes, estabilidade financeira e eficiência cambial é uma necessidade prática. Nesse contexto, as stablecoins ajudam a resolver problemas históricos das operações internacionais, que ainda enfrentam custos elevados, demora na liquidação e dependência de diversos intermediários. Com elas, transferências podem ser realizadas quase instantaneamente e com menor custo.

Outro fator decisivo para a expansão desse mercado é a evolução regulatória. Nos últimos anos, regras mais claras para emissão, custódia e utilização de stablecoins reduziram incertezas e abriram caminho para uma participação mais robusta das instituições financeiras tradicionais.

Nesse cenário, os bancos possuem vantagens competitivas importantes. Além de já atuarem em ambientes regulados, contam com experiência em gestão de riscos, compliance, liquidez e relacionamento com clientes. Embora as big techs tenham capacidade de escala e excelência em experiência do usuário, a confiança institucional e a solidez financeira tendem a ser fatores determinantes quando o assunto é dinheiro em escala global.

Apesar do avanço, ainda existem desafios relacionados à padronização regulatória internacional, interoperabilidade entre sistemas e gestão de riscos. Ainda assim, as stablecoins já não podem ser vistas como uma tecnologia emergente. Elas representam uma infraestrutura financeira em consolidação, capaz de redesenhar o sistema financeiro global e gerar vantagens estratégicas para as instituições que liderarem sua adoção.

Fonte: Giuliano Kohler Silva, Head of Crypto / FX Desk do Banco Braza. thaiza.ribeiro@vcrp.com.br

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