Você já pedia a pizza pelo app, logo vai poder pedir o remédio para a intolerância à lactose também. A Anvisa revogou na segunda (10) as proibições que travavam iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Submarino na venda e entrega de remédios – a Shopee já tinha saído na frente na semana passada.
O barulho é menos jurídico e mais comercial: a galera do delivery ganhou acesso a um mercado que faturou R$275 bilhões nos 12 meses até maio. Enquanto o varejo físico cresceu ~7%, as vendas por app, site e marketplace cresceram ao dobro do ritmo.
Se o sucesso da vertical farmacêutica do maior ecommerce e maior delivery dos Estados Unidos for indicativo do que está por vir, vale a pena conferir o currículo da Amazon Pharmacy:
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2018, a base: Amazon compra a PillPack por US$ 753 milhões – uma farmácia com licença para operar em todos os 50 estados e que também empacota remédio pré-dosado por dia/horário pra quem toma várias pílulas (crônico, idoso).
- 2020, o launch: Amazon Pharmacy, que se integra com seguro de saúde, surge com entrega grátis para membros Prime, descontos de até 80% em genéricos e 40% em remédios de marca.
- 2022, a integralização: fecha a compra da One Medical (rede de clínicas) por US$ 3,9 bilhões, plugando telemedicina direto na farmácia. No mesmo ano, lança o Amazon Clinic – oferecendo consulta assíncrona que já sai receitando pra própria Amazon Pharmacy.
- 2023, a recorrência: lança o RxPass – uma assinatura de US$ 5/mês com acesso ilimitado a mais de 50 genéricos pra condições crônicas, sem precisar de seguro. É o Prime da farmácia.
- 2024, o físico: começa a testar quiosques de farmácia self-service dentro das clínicas One Medical. O paciente pega o remédio na saída da consulta, sem passar em farmácia física.
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2025, a expansão: passa a aceitar beneficiários de Medicare, destravando a fatia mais velha (e mais medicada) da população americana.
Se iFood, Mercado Livre e Rappi capturarem só 5% desse mercado via delivery (R$ 13,7 bi em GMV de farmácia) e cobrarem a mesma taxa que cobram de restaurantes – entre 15% e 27% por pedido, já seriam mais de R$ 2 bi/ano em receita nova só de comissão.
Pra comparar: o iFood inteiro (comida + tudo mais) deve fechar o ano fiscal em cerca de R$ 7 bi de receita, com GMV total acima de R$ 10 bi por mês. Farmácia sozinha pode virar uma vertical do tamanho de 30% do negócio principal – sem inventar categoria nova, só destravando uma que já existia dentro do app.
What’s next: para começar a operar, os apps ainda precisam esperar que a Anvisa defina as regras para as vendas dos medicamentos – incluindo requisitos de infraestrutura digital para a validação/retenção de receitas.
Fonte: tech-drops-newsletter@mail.beehiiv.com