Macaíba vem ganhando espaço no cenário da silvicultura do Rio Grande do Norte, especialmente pelo papel estratégico da ciência, da inovação e da integração entre produção rural e sustentabilidade.
De acordo com os dados mais recentes da pesquisa de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE, o município responde por 300 m³ de lenha de eucalipto, movimentando cerca de R$ 24 mil. Embora Pureza concentre a maior produção comercial de eucalipto em tora, Macaíba apresenta um diferencial que vai além dos números da produção.
O município abriga a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN), que contribui para pesquisas e experimentos voltados à adaptação do eucalipto às condições de solo e clima do semiárido potiguar. Estudos analisam diferentes clones e espaçamentos de plantio, buscando maior produtividade com uso eficiente da água e dos nutrientes.
Outro destaque é a utilização do eucalipto em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Plantadas em fileiras dentro das pastagens, as árvores podem proporcionar sombra e proteção contra os ventos, além de oferecer ao produtor uma fonte complementar de renda com a comercialização da madeira.
O eucalipto tratado também pode contribuir para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa. Utilizado em cercas, estacas e estruturas rurais, o material apresenta maior durabilidade e pode substituir parte da utilização de madeiras nativas da Caatinga, contribuindo para uma atividade rural mais eficiente e ambientalmente responsável.
Além disso, Macaíba lidera o extrativismo de madeira em tora de mata nativa no estado, com 8,6 mil m³ registrados. Nesse contexto, ampliar alternativas de madeira cultivada e tratada representa uma oportunidade para conciliar produção, inovação tecnológica e preservação ambiental.
Mais do que um polo produtor, Macaíba se consolida como um território onde conhecimento científico e atividade rural podem caminhar juntos, fortalecendo a economia local, diversificando as atividades do campo e criando novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável.
A presença da EAJ/UFRN reforça ainda a importância do município como espaço de pesquisa e formação profissional, aproximando conhecimento acadêmico das necessidades dos produtores e das características do semiárido potiguar.