O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) realizou, em 19 de março, no Rio de Janeiro, o Encontro sobre Mudança Climática com o tema “Passada a COP30, qual a agenda climática para o setor de energia no Brasil?”. O evento reuniu representantes de empresas, governo, academia e sociedade civil para discutir os próximos passos da agenda climática brasileira, com foco na implementação de políticas públicas, transição energética, mercado de carbono, mitigação de emissões e desafios regulatórios.
Os debates destacaram que o Brasil já avançou na criação de instrumentos importantes para a transição energética, mas enfrenta agora o desafio de transformar esse arcabouço em ações concretas. Entre os instrumentos citados estão a política Nova Indústria Brasil, o programa Combustível do Futuro e o fortalecimento do Fundo Clima. Especialistas ressaltaram a necessidade de maior integração entre políticas climáticas, ambientais, energéticas e industriais, além de previsibilidade regulatória e ampliação de mecanismos de financiamento.
Outro ponto de destaque foi o legado da COP30, que reforçou o debate global sobre a redução da dependência de combustíveis fósseis. Segundo participantes, cerca de 80 países defendem essa agenda, enquanto o avanço das energias renováveis, das baterias e da eletrificação já demonstra crescente viabilidade econômica.
No painel sobre litigância climática, especialistas indicaram que a cobrança por metas e transparência tende a crescer, especialmente com base nos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris. A expectativa é que, nos próximos anos, aumentem as ações relacionadas à adoção de medidas efetivas de redução de emissões e à prevenção de práticas de greenwashing (falsa impressão de compromisso com o meio ambiente para atrair consumidores conscientes).
Também foram discutidos novos combustíveis e soluções tecnológicas para a descarbonização, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o biometano, previstos na política do Combustível do Futuro. Outro destaque foi a agenda regulatória para redução de emissões de metano, cujo impacto no aquecimento global é significativamente maior que o do CO₂ no curto prazo.
O encontro abordou ainda a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mercado regulado de carbono que deverá estabelecer regras de monitoramento, reporte e verificação de emissões. A expectativa do governo é concluir a regulamentação até 2026, com participação obrigatória de grandes emissores a partir do final da década.
Por fim, o debate sobre o Plano Clima Mitigação destacou que a redução de emissões no Brasil exige ações integradas envolvendo setores como uso da terra, agropecuária, indústria, transporte, cidades e gestão de resíduos. A conclusão foi que a transição energética brasileira dependerá de coordenação entre políticas públicas, inovação tecnológica e investimentos do setor privado.