No Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio, o UNICEF reforçou que garantir dignidade menstrual vai muito além da distribuição de absorventes. A entidade destaca que é necessário assegurar acesso à água, saneamento, higiene, banheiros adequados, informação de qualidade e ambientes escolares seguros e acolhedores para meninas e adolescentes.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 mostram que 15,3% das adolescentes brasileiras entre 13 e 17 anos deixaram de ir à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes ou itens de cuidado menstrual. Nas escolas públicas, o índice sobe para 16,9%. No Amazonas, quase 28% das estudantes enfrentaram o mesmo problema.
Segundo o UNICEF, a ausência de infraestrutura básica afeta diretamente a saúde, autoestima, frequência escolar e desenvolvimento de meninas e adolescentes, especialmente em áreas rurais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. O relatório do UNICEF e do UNFPA sobre pobreza menstrual já apontava, em 2021, que 713 mil meninas vivem sem banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso adequado a itens de higiene menstrual nas escolas.
O Censo Escolar 2025 também revelou que mais de 4.600 escolas brasileiras ainda não possuem banheiro, impactando mais de 416 mil estudantes, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Além da infraestrutura, o UNICEF alerta para a necessidade de combater os tabus e estigmas relacionados à menstruação. A falta de informação e o constrangimento ainda fazem muitas adolescentes deixarem de participar de atividades escolares, esportivas e sociais.
Nos últimos anos, o UNICEF desenvolveu ações de dignidade menstrual em diferentes regiões do país, promovendo oficinas, rodas de conversa e projetos de saneamento escolar. Somente em 2025, cerca de 10 mil adolescentes participaram de iniciativas voltadas à promoção da dignidade menstrual e igualdade de gênero.
Fonte: UNICEF jzotini@tramaweb.com.br