O avanço da desinformação, o crescimento de conteúdos manipulados por inteligência artificial e o uso cada vez mais intenso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes tornam urgente o debate sobre educação midiática nas escolas brasileiras. Nesse contexto, o Projeto de Lei 1.010/2025, em tramitação no Congresso Nacional, busca regulamentar o uso de tecnologias no ambiente escolar. Paralelamente, a Resolução CNE/CEB nº 2, de 21 de março de 2025, tornou obrigatória a integração da educação digital e midiática ao currículo da educação básica em todo o país, além de estabelecer diretrizes para o uso de dispositivos digitais nas escolas.
O cenário global reforça essa necessidade. O Fórum Econômico Mundial classificou a desinformação e os conteúdos manipulados por inteligência artificial como o segundo maior risco global, atrás apenas de eventos climáticos extremos. No Brasil, a situação é preocupante: o país ficou em último lugar em um levantamento da OCDE que avaliou a capacidade de identificar conteúdos falsos na internet.
Os dados de consumo de informação também revelam a dimensão do problema. Segundo o CGEE, 73% dos brasileiros buscam informações sobre ciência, tecnologia, saúde e meio ambiente nas redes sociais e plataformas digitais. Ao mesmo tempo, mais da metade afirma encontrar frequentemente notícias que parecem falsas. Em 2025, as redes sociais concentraram 78% dos anúncios e perfis fraudulentos identificados no país.
Especialistas defendem que restringir o uso de celulares ou redes sociais não é suficiente. Embora medidas de regulação possam ajudar a reduzir distrações e riscos, é fundamental que sejam acompanhadas de formação crítica. A escola, nesse sentido, é vista como espaço essencial para ensinar estudantes a analisar informações, identificar fontes confiáveis e compreender como funcionam algoritmos e manipulações digitais.
Assim, a educação midiática vai além do ensino técnico de ferramentas. Ela envolve leitura crítica da mídia, produção responsável de conteúdo e compreensão dos processos de circulação da informação. Ao integrar essas competências ao currículo, as escolas contribuem para formar cidadãos críticos, capazes de participar do debate público de forma ética e responsável no mundo digital.
Fonte: FSB Comunicação