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01 janeiro 2026

A Grande Assembleia dos Sinais de Pontuação: quem é realmente o mais importante?

Written by Dejackson Alvares de Farias
Diversos, Educação Ponto de Interrogação, Vírgula Leave a Comment
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Numa tarde nublada na Academia Gramatical do Reino das Palavrinhas, um burburinho tomou conta do salão principal. Tapetes estendidos, cadeiras alinhadas e um mural com o título: “Reunião extraordinária: Quem é o mais importante da Língua Portuguesa?”
A disputa prometia.

A Vírgula, sempre intrometida, foi a primeira a se manifestar

Elegante como sempre, deslizou entre dois substantivos e disse:
— “Vamos começar, porque sem mim nada flui. Eu sou a responsável pela respiração das frases, pela pausa dramática, pela diferença entre ‘vamos comer, crianças’ e ‘vamos comer crianças’. Sem mim, o caos!”

A plateia murmurou, alguns sinais assentiram, outros reviraram os olhos.

O Ponto Final bateu na mesa

Com seu ar de autoridade, declarou:
— “Chega. Toda frase precisa terminar. Eu dou ordem, clareza, seriedade. Sou o fim da linha, o desfecho, o limite. Sem mim, a frase se arrasta feito novela de 400 capítulos.”

Silêncio respeitoso. Afinal, contrariar o Ponto Final significa ser interrompido.

O Ponto de Exclamação explodiu, como era de se esperar

— “AH, POR FAVOR!!! Sem mim não há emoção! Não há grito, surpresa, alegria, indignação, entusiasmo!!! Eu sou a alma das frases!!!”

Alguns tamparam os ouvidos. O Ponto de Exclamação não sabe falar baixo.

O Ponto de Interrogação apareceu inclinando a cabeça

Com seu ar desconfiado, perguntou:
— “E vocês acham mesmo que alguém se importa com a opinião de vocês… sem mim? Quem provoca curiosidade? Quem abre espaço para o diálogo? Quem move o pensamento? Hein? Hein?”

E piscou, como quem lança dúvida só para ver o circo pegar fogo.

A Temida Reflexão

Em meio à discussão, a humilde aspas comentou baixinho:
— “Poderíamos reconhecer que todos têm sua função…”
Mas ninguém ouviu porque a exclamação interrompeu novamente com um “NÃO SE META!!!”

A vírgula até tentou separar os brigões, o ponto final tentou encerrar a discussão, o ponto de interrogação continuou perguntando coisas inconvenientes, e o de exclamação… bem, seguiu gritando.

No fim, o hífen propôs um acordo (ele sempre tenta unir tudo):
— “E se aceitarmos que nenhuma frase é completa sem a participação de todos nós? Cada um tem sua hora, seu estilo e sua importância.”

A assembleia se acalmou, refletiu e, ironicamente, encerrou… com um ponto final.

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